Itaipu apresenta desafios da agroecologia aos produtores da região oeste

Por Itaipu Binacional

Se na década de 1980 o ataque de gafanhotos em massa era difundido pela TVs e gerava temor entre os agricultores, hoje um outro tipo de nuvem preocupa os produtores agroecológicos do Oeste paranaense. A deriva de agrotóxicos de propriedades vizinhas é um dos principais desafios para os produtores, segundo diagnóstico da rede de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) da Bacia do Paraná 3. “Essa nuvem acabam atravessando uma área para outra”, explica Ronaldo Pavlak, da Divisão de Ação Ambiental (MAPA.CD) de Itaipu, que atua com a rede, por meio do Programa Cultivando Água Boa.

O diretor de Coordenação de Itaipu, Nelton Friedrich, na apresentação aos agricultores da BP3.
O diretor de Coordenação de Itaipu, Nelton Friedrich, na apresentação.

Parte do estudo foi apresentado pelo diretor de Coordenação de Itaipu, Nelton Friedrich, no auditório do Salão Tecnológico Pecuário, durante reunião que antecedeu o lançamento da Cartilha da Vitrine Tecnológica de Agroecologia nessa terça-feira (7), no Show Rural Coopavel, em Cascavel. Pelo menos uma centena de pessoas acompanhou a apresentação, momento que também serviu para a celebração de parcerias entre as instituições que atuam de forma articulada em benefício da agroecologia na BP3.

A contaminação indireta de agrotóxicos, citada por Ronaldo Pavlak, é uma dificuldade enfrentada no cotidiano da produtora rural Ivane Spagnol Zanon. “Meus vizinhos, dos quatros lados, fazem uso de agrotóxico. O vento acaba trazendo para a nossa propriedade. É um desafio que temos enfrentado”, afirmou.

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Ivane Zanon tem problemas com a deriva de agrotóxicos da vizinhança.

No evento, foram mostrados outros entraves, como as dificuldades que os pequenos produtores ainda encontram na comercialização, mas também apresentados avanços dos últimos anos, como o aumento no associativismo, da variedade de produtos cultivada e comercializada e, principalmente, do número de agroindústrias familiares. “Em 2015, diagnosticamos 30 agroindústrias familiares. Agora, neste diagnóstico, encontramos 124”, celebra Nelton Friedrich. Entre elas, está a agroindústria de Ivane Zanon, dos Produtos Dani, que passou a transformar sua colheita em geleias artesanais, apesar dos percalços. “O que eu posso fazer para melhorar, eu faço”, afirma.

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No encontro, foi anunciada ampliação do convênio com o Capa.

No encontro, também foi anunciada a ampliação do convênio de Itaipu com o Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (Capa) para o trabalho de Ater nos assentamentos de reforma agrária. Com a medida, 400 novas famílias assentadas serão atendidas em oito cidades da BP3. “É mais um passo na nossa caminhada. Isso dará um impulso na área dos assentamentos”, comemora o coordenador do Capa, Vilmar Saar. “Itaipu acabou se transformando em um agente de desenvolvimento regional e de inclusão social”, disse Nelton Friedrich, que conclamou todos os técnicos e agricultores a atuarem focados nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU).

Também estiveram na apresentação representantes da Biolabore – Cooperativa de Trabalho e Assistência Técnica do Paraná, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), entre outras instituições.

“Conseguir a diversidade do sistema agroecológico é fácil. Difícil é manter a diversidade institucional e isso tem sido feito com sucesso aqui nos projetos da região Oeste, onde há base institucional muito boa, com a Itaipu na liderança”, afirmou Alberto Fayden, da Embrapa.

Fotos: Nilton Rolin/Itaipu Binacional

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Alberto Fayden, da Embrapa, à direita: diversidade institucional mantém agroecologia.