40 anos: Uma trajetória de amor e trabalho

Por Jean Paterno

O engenheiro agrícola e de segurança do trabalho Moacir Kessler completará em 2 de outubro quatro décadas de serviço à Coopavel

O percurso de desafios e de vitórias da Coopavel está fortemente ligado à história de pessoas que, nesses quase 50 anos de fundação, estiveram e estão ao lado da cooperativa. É o caminhar determinado de diretores, cooperados e colaboradores que faz da cooperativa uma referência de trabalho, de empreendedorismo e de resultados.

Um desses personagens é o engenheiro agrícola, engenheiro de segurança do Trabalho e mestre em Engenharia Agrícola, Moacir Kessler. No próximo dia 2 de outubro, Kessler completa 40 anos de casa, uma trajetória que ele define como de muito amor e trabalho. Atualmente, ele responde pela gerência de Obras das Filiais, Gestão de Energia e Engenharia de Segurança do Trabalho.

Em um trabalho de resgate de capítulos da trajetória da cooperativa, a Revista Coopavel abre, nesta edição, espaço para que Moacir Kessler, um dos seus mais antigos colaboradores, conte sobre suas experiências e sobre aspectos dessa jornada de quatro décadas. Acompanhe detalhes dessa relação na entrevista a seguir:

Revista Coopavel – Como começou a sua história com a Coopavel?

Moacir Kessler – Foi um belo presente de aniversário. No dia 1º de outubro de 1979, uma sexta-feira, a Valmira, do RH, ligou para saber se eu poderia iniciar no sábado, dia 2, data do meu aniversário… e lá se vão 40 anos de história. Minha formação secundária era na área de projetos. A Valmira me falou que não tinha essa função na Coopavel, mas como tinha facilidade com cálculos, poderia trabalhar na contabilidade. Vim de Maringá, onde conclui o segundo grau e fiz o serviço militar. Depois fui convidado a trabalhar em uma área que estava elaborando as Normas da Coopavel, Organização & Métodos.

Revista Coopavel – E quanto à sua passagem pela área de projetos?

Moacir Kessler – Pela formação em desenho técnico, elaborei todos os formulários para a cooperativa, inclusive os esboços das notas fiscais para depois ser tudo levado para as gráficas. Não havia computadores para esse trabalho. Trabalhei também dando apoio ao que era na época o setor de cadastro em projetos na área agrícola e pecuária em complemento ao trabalho dos engenheiros agrônomos Aldemir Ferreira Ápio e, na sequência, com o senhor Luimar José Tozetto, da área operacional, fazendo projetos complementares de armazenagem. A seguir, trabalhei com o Anselmo Miguel Scoffet Fernandez, que era o gerente operacional em substituição ao Luimar. Nessa época iniciavam-se as obras no parque industrial. Elaborei os cálculos dos volumes de terras a movimentar e a demarcação das obras de terraplenagem, acompanhando ainda a montagem da indústria de óleos, além de trabalhos para outras indústrias, filais e projetos para o Ceta, hoje Show Rural, para receber os animais importados para a área leiteira.

Revista Coopavel – Conte sobre a proposta de ir trabalhar em São Paulo?

Moacir Kessler – Na área operacional das filiais como é atualmente, trabalhei com outro amigo inseparável até os dias de hoje, o também engenheiro agrícola Mário Minoru Ikeda, que na época da crise de 1985 me convidou para trabalhar em São Paulo para ganhar bem mais do que era o meu salário na época. “Voltei de São Paulo para fazer as malas e ir embora. Tinha até namorada lá, mas antes de sair tive que fazer uma reunião com o pessoal do operacional a pedido da diretoria para dizer que não faltaria comida e que os salários atrasados seriam repostos em até três meses. Um funcionário do sindicato, haviam mais de cem na época, pediu a palavra e disse: Olha seu Moacir, se não fecharem os portões para a gente trabalhar, vamos reerguer a Coopavel. Não precisa dizer que não tive coragem de abandonar o barco, não me arrependo. Um momento crucial na minha vida e carreira foi o recebimento por parte da Coopavel de milho procedente dos EEUU que saiu de lá com temperaturas muito abaixo de zero, alta umidade e impurezas, chegando a Paranaguá com mais de 30º C e depois transportado em caminhões até Cascavel, o que provocou o aquecimento do milho e formação de gases. Numa dessas inspeções de rotina, o gás que é inodoro, quase levou a minha vida. Minha família queria que saísse da Coopavel, mas ao contrário, esse fato me levou a cursar Engenharia de Segurança do Trabalho e a tomar atitudes para salvar muitas vidas.

Revista Coopavel – …e sobre o projeto de construção de uma subestação no parque industrial, fale algo a respeito…

Moacir Kessler – Em 2005, sofrendo dia a dia com a má qualidade da energia elétrica no parque industrial, iniciamos tratativas com a Copel para a construção de uma subestação em 138 mil Volts – energia muito mais barata e com uma confiabilidade e qualidade incomparáveis com a existente na época. Realizada a obra com pagamento do investimento e retornos de quantias vultosas para a Coopavel, atualmente a energia elétrica do parque industrial tem uma qualidade e confiabilidade muito grandes e com custos altamente competitivos para os produtos produzidos nas indústrias instaladas;

Revista Coopavel – O que você entende por cooperativismo?

Moacir Kessler – Cooperar é somar esforços para com união ganhar economia de escala e ajuda mútua. O sistema cooperativo é responsável pelo desenvolvimento da região onde a Coopavel atua gerando milhares de empregos diretos e indiretos, promovendo o aumento da renda dos produtores e seus familiares. Os municípios onde a cooperativa atua não teriam a pujança atual caso não tivesse a forte atuação que tem. As mudanças profundas são o aumento da produtividade, que deve muito ao Show Rural, e diversificação das atividades dos produtores pela atuação na avicultura, suinocultura e bovinos. Isso significa a fixação dos filhos dos produtores que atualmente não vão mais embora depois de formado, mas ficam na propriedade ajudando os pais e fazendo a sucessão nas propriedades.

Revista Coopavel – Na sua opinião, o que a Coopavel representa para os cooperados?

Moacir Kessler – Representa o norte seguro, reguladora de preços, se não as multis pagariam muito menos pelos cereais e cobrariam mais pelos insumos. Difusora de tecnologia promotora de aumento de produtividade e renda e, principalmente, criando alternativas de diversificação da propriedade com responsabilidade ambiental.

Revista Coopavel – Quais são os valores da cooperativa que você, um colaborador com quatro décadas dedicados à empresa, mais aprecia?

Moacir Kessler – Ética, confiança, segurança respeito ao meio ambiente e valorização das comunidades

Revista Coopavel – O que é possível esperar da Coopavel para os próximos anos?

Moacir Kessler – Uma Coopavel mais forte ainda criando continuamente opções de diversificação das atividades nas propriedades proporcionando aumento de empregos e renda aos produtores.

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