EMATER ALERTA PRODUTORES SOBRE DANOS CAUSADOS PELAS FORMIGAS CORTADEIRAS

Por Ana Zimermann

Na 31ª edição do Show Rural, um problema que costuma chegar às lavouras de forma quase imperceptível e causar grandes prejuízos ganhou espaço entre as áreas do Instituto Emater. No local, os visitantes saberão como funciona a estrutura de um formigueiro e terão acesso aos principais métodos de controle das formigas cortadeiras.

De acordo com o técnico Luiz Carlos Retcheski Junior, é preciso explicar o dano causado pela formiga que, muitas vezes, não é vista pelo produtor. “Em frutíferas, a desfolha é um problema sério. Em hortaliças, a formiga causa uma perda muito grande, principalmente na fase de plantio. As crucíferas também costumam ser bem atacadas e, nas pastagens, o dano pode chegar a duas cabeças de animal por hectare. Não tem cultura que escape”.

Um dos fatores que contribui com o prejuízo gerado pela presença de formigas cortadeiras diz respeito ao horário em que elas costumam “trabalhar”, que é no período da noite. A reprodução ocorre entre os meses de setembro e outubro, quando deve ser iniciado o manejo correto, estendido até abril ou maio. “Nesse período a vistoria tem que ser feita de forma rotineira. Aplicou a isca, já vai lá ver se ela levou embora. Se não levou, aplica em outro lugar”, afirma o técnico do Emater, que alerta sobre cuidados simples e extremamente importantes, como não abrir o pacote da isca e nem colocar em cima dos carreiros ou olheiros. Também é preciso estar atento à umidade do solo, pois as formigas cortadeiras não levam iscas úmidas ao formigueiro.

Os métodos de controle podem ser químicos, físicos ou alternativos. “Na nossa região, o método mais eficiente é o uso da isca formicida, que faz com que as formigas levem o produto até o interior do formigueiro, causando um desequilíbrio e matando a rainha de fome. Os outros dois métodos químicos são a isca em pó e a termonebulização. O primeiro possui baixa eficiência, só funciona em formigueiros novos. O segundo, por sua vez, tem o uso proibido no Estado do Paraná”, explica Luiz Carlos.

Alguns produtores da área de fruticultura usam métodos mecânicos como o cone invertido, feito de plástico – que pode ser uma garrafa pet recortada – e colocado no tronco da árvore como uma barreira que impede a subida da formiga. Outra opção consiste no plantio de “culturas armadilhas”, método bastante presente em áreas de reflorestamento, principalmente da região Norte do Brasil. “Nesses locais há muita experiência com plantas da Amazônia, usadas como armadilhas enquanto as mudas de reflorestamento estão crescendo. Alguns exemplos são: braquiara, mamona, gergelim, batata doce”.

Para determinar a dosagem de isca ideal, medir o formigueiro e identificar onde estão seus olheiros é fundamental para identificar sua área de abrangência que, em alguns casos, pode chegar até 200 m². “Após 36 meses é que o formigueiro está no auge. Nesse momento o controle é muito difícil, por isso a gente preconiza os cuidados no período da revoada – entre setembro e outubro -, quando a formiga está desprotegida. Todos os métodos de controle visam matar a rainha. Essa é a única forma de acabar com um formigueiro”, conclui o técnico do Instituto Emater.

 

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